Panorama do Agro

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Nos últimos 50 anos, a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que o Brasil se transformou em um dos principais produtores e fornecedores de alimentos, fibras e energia do mundo. Essa evolução é fruto de sucessivos ganhos de produtividade decorrente de investimentos em ciência e tecnologia, políticas públicas setoriais e de muita dedicação dos produtores rurais, grandes protagonistas dessa trajetória, em suas atividades dentro da porteira.

O efeito transformador da revolução agrícola das últimas cinco décadas é certamente o fato mais importante da história econômica recente do Brasil e continua abrindo perspectivas para o futuro do país. Como resultado desse desenvolvimento, temos atualmente uma agricultura adaptada às regiões tropicais, intensiva em tecnologia e constituída por uma multidão de produtores rurais que pautam sua produção na preservação dos recursos naturais, garantindo a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos. Essas pessoas compõem o setor produtivo mais moderno e sustentável do mundo que vem transformando de forma consistente a economia brasileira.

Produzindo excedentes cada vez maiores, o agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávits cambiais que fortalecem a economia brasileira. Como importante resultado, a geração de excedente produtivo aliado ao aumento da produtividade, reduziu drasticamente o preço do alimento para o consumidor, melhorando a qualidade de vida da população e liberando seu poder de compra para a aquisição de bens produzidos pela indústria e pelo setor de serviços.

O reconhecimento do agronegócio como vetor crucial do crescimento econômico brasileiro pode ser constatado pelos seus números. Responsável por praticamente 1/3 do produto interno bruto (PIB) do país em 2025, a soma de bens e serviços gerados no agronegócio chegou a R$ 3,2 trilhões. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que correspondeu a 65% desse valor (R$ 2,1 trilhões), enquanto a pecuária respondeu por 35%, ou R$ 1,1 trilhão (CNA/CEPEA, 2026A).

Já o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária, que corresponde ao volume produzido multiplicado pelo preço, ou seja, ao faturamento bruto dos estabelecimentos agropecuários, alcançou R$ 1,49 trilhão em 2025, resultado 11% superior ao de 2024 (R$ 1,34 trilhão). Desse total, R$ 972,7 bilhões foram gerados na produção agrícola e R$ 515,0 bilhões no segmento pecuário (CNA, 2026).

Como pode ser observado na Figura 1, a soja em grão é o principal produto da agropecuária brasileira, com faturamento de R$ 372,2 bilhões em 2025. Em seguida, destaca-se a pecuária de corte, com R$ 250,8 bilhões. O milho ocupa a terceira posição, com R$ 168,1 bilhões, seguido pela cana-de-açúcar (R$ 102,1 bilhões) e pela pecuária leiteira (R$ 98,5 bilhões). A carne de frango (R$ 88,1 bilhões) aparece em sexto lugar, seguida pelo café arábica (R$ 81,0 bilhões) e pela carne suína, com R$ 44,9 bilhões.

Considerando o conjunto dos principais produtos, em relação a 2024, houve queda apenas no VBP da cana-de-açúcar, em decorrência da redução dos preços e da quantidade produzida. Os demais produtos registraram crescimento em seus VBPs na base de comparação, com destaque para o café arábica (44,4%), o milho (32,9%) e a carne bovina (20,3%), todos com expansão superior a 20%.

Figura 1: Comparativo 2024-2025 dos principais produtos do VBP da agropecuária (R$ bilhões) Figura 1: Comparativo 2024-2025 dos principais produtos do VBP da agropecuária (R$ bilhões)

O setor absorve praticamente um em cada três trabalhadores brasileiros. Em 2025, 26,3% do total de 108,1 milhões de ocupados, o equivalente a 28,4 milhões de pessoas, estavam no agronegócio. Desse contingente, 7,8 milhões (27,3%) atuavam nas atividades agropecuárias primárias; 10,6 milhões (37,3%) nos agrosserviços; 4,7 milhões (16,6%) na agroindústria; 4,9 milhões (17,2%) no autoconsumo; e 319,7 mil (1,1%) no setor de insumos (CNA/CEPEA, 2026B).

Quanto ao comércio internacional, 49% das exportações brasileiras, em 2025, foram de produtos do agronegócio. Também há forte contribuição do agronegócio para o desempenho da economia brasileira. Isso fica evidente no gráfico 1, que mostra como o superávit comercial do agronegócio brasileiro mais que supera o déficit comercial dos demais setores da economia brasileira, garantido sucessivos superávits à Balança Comercial Brasileira.

Figura 2: Saldo da Balança Comercial Brasileira de 2010 a 2025 (em US$ bilhões) Figura 2: Saldo da Balança Comercial Brasileira de 2010 a 2025 (em US$ bilhões)

Apesar dos desafios contemporâneos nos mercados doméstico e internacional — que se acentuaram com o recrudescimento do protecionismo comercial a partir do aumento de tarifas durante o governo de Donald Trump e se estenderam ao longo de 2025, além do ambiente de taxas de juros elevadas, que encarece o crédito e reduz a liquidez —, os destinos e a diversidade de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro aumentaram significativamente. Com mais de 200 parceiros comerciais, as exportações do setor distribuem-se globalmente, como mostra a Figura 3.

A China respondeu por 33% do valor das exportações do agronegócio brasileiro em 2025, o que equivale a US$ 55,3 bilhões. A União Europeia representou 15% das exportações (US$ 25,2 bilhões), seguida pelos Estados Unidos (7%; US$ 11,4 bilhões), pela Indonésia (2%; US$ 3,2 bilhões) e pelo Vietnã (2%; US$ 3,6 bilhões). Os demais países perfizeram os 41% restantes das exportações do agronegócio, equivalentes a US$ 70,5 bilhões.

Figura 3: Exportações do Agronegócio (bilhões US$ e %) por principais destinos, 2025 Figura 3: Exportações do Agronegócio (bilhões US$ e %) por principais destinos, 2025

Em relação aos produtos exportados, como mostra a Figura 4, o Brasil é, atualmente, o maior exportador de soja, café, suco de laranja, açúcar, carne bovina, carne de frango e algodão; o segundo maior exportador de milho; e o terceiro maior exportador de carne suína. No que se refere à produção, o Brasil é o maior produtor de soja, café, suco de laranja, açúcar e carne bovina; o terceiro maior produtor de carne de frango, milho e algodão; e o quarto maior produtor mundial de carne suína.

Figura 4: Produção e Exportações Brasileiras no Ranking Mundial em 2025 Figura 4: Produção e Exportações Brasileiras no Ranking Mundial em 2025

De acordo com dados do Trade Map (2025), o Brasil foi o terceiro maior exportador mundial de produtos agropecuários em 2024, movimentando cerca de US$ 144,4 bilhões, o que corresponde a 7% das exportações globais, como ilustrado na Figura 5. Em conjunto, a União Europeia respondeu por 36% dessas exportações, totalizando US$ 740,2 bilhões, seguida pelos Estados Unidos (8,9%; US$ 182,1 bilhões) e, em quarto lugar, pela China, com 4,3% e um valor de US$ 88,1 bilhões.

Figura 5: Principais exportadores do agronegócio (US$ bilhões) em 2024 Figura 5: Principais exportadores do agronegócio (US$ bilhões) em 2024

Dados atualizados do Trade Map (2026) mostram que as exportações do agronegócio brasileiro cresceram 4% em 2025, atingindo o valor de US$ 150,2 bilhões. Já os Estados Unidos registraram retração de 3% em suas exportações do setor, totalizando US$ 177,0 bilhões, enquanto a China apresentou crescimento de 1%, alcançando US$ 89,0 bilhões. Ainda não há informações consolidadas para a União Europeia. No entanto, de acordo com os dados disponíveis, as exportações do agronegócio da Alemanha e da França cresceram, em média, 8% no período, somando um total de US$ 213,5 bilhões. Em 2024, as exportações do agronegócio desses dois países equivaleram a 27% do total exportado pelo setor na União Europeia.

 

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Agricultura e Pecuária. AGROSTAT Brasil: estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. Brasília, DF: MAPA, [s.d.]. Disponível em: AGROSTAT Brasil. Acesso em: março de 2026.

CNA. Comunicado Técnico do Valor Bruto da Produção (VBP), Janeiro/2026. Dados até dezembro 2025 e preços corrigidos pelos IGP-DI. CNA, Brasília/DF, 2026.

CNA/CEPEA. Boletim do Produto Interno Bruto do Agronegócio 2025. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP). CNA, Brasília/DF, 2026 (A).

CNA/CEPEA. Boletim do Mercado de Trabalho do Agronegócio 2025. Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/USP). CNA, Brasília/DF, 2026 (B).

INTERNATIONAL TRADE CENTRE (ITC). Trade Map: trade statistics for international business development. Genebra: ITC, [s.d.]. Acesso em: março de 2026.

UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). Production, Supply and Distribution (PSD) Online Database. Washington, DC: USDA Foreign Agricultural Service, [s.d.]. Acesso em: março de 2026.

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