Campo Futuro levanta custos de produção na BA, PR e MS

CNA realiza painéis sobre cacau, mamão, café, cana e eucalipto

Por CNA 27 de março 2026
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Painel de cacau em Ilhéus

Brasília (27/03/2026) - A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) iniciou, nesta semana, os levantamentos dos custos da produção agropecuária em todas as regiões do país dentro das ações do Projeto Campo Futuro.

Os painéis contam com a participação de técnicos da CNA, em parceria com federações estaduais, universidades e centros de pesquisa, além de produtores rurais, sindicatos, cooperativas, técnicos e especialistas do setor.

Os primeiros levantamentos apuraram os custos de produção de cacau, mamão e café na Bahia, cana-de-açúcar no Paraná e eucalipto em Mato Grosso do Sul.

Cacau – Na terça-feira (24), foi realizado um painel em Eunápolis (BA), que evidenciou um cenário econômico delicado para a atividade. A propriedade modal possui 50 hectares cultivados com cacau a pleno sol, em sistema irrigado e semimecanizado. Produtores relataram queda na produtividade, atualmente em 120 arrobas por hectare, ante a média de 150 registrada em painel anterior.

Segundo a assessora técnica da CNA, Letícia Fonseca, a redução foi provocada por doenças como vassoura-de-bruxa e podridão-parda. O cenário é agravado pelo aumento dos custos de produção, especialmente com mão de obra e fertilizantes.

“A queda nos preços pagos pela amêndoa de cacau, aliada à redução da produção, resulta em margem bruta negativa, impedindo o produtor de arcar até mesmo com os desembolsos da safra”, afirmou.

Na sexta-feira (27), o levantamento ocorreu em Ilhéus (BA), no sistema cabruca.

A propriedade modal possui 32 hectares cultivados. Produtores destacaram a busca pela renovação dos plantios, com ampliação do uso de materiais clonais para melhorar a produtividade. No entanto, os altos custos e a queda nos preços têm dificultado os investimentos e a continuidade da atividade.

Café – Na quarta-feira (25) foi realizado um painel de café conilon em Itabela (BA), com base em uma propriedade modal de 50 hectares, irrigada por gotejamento e com sistema semimecanizado. A produtividade foi de 55 sacas por hectare, um aumento de 10% em relação à safra anterior.

Segundo Letícia, apesar da margem líquida positiva, a atividade não gerou lucro. “O cenário tende a se tornar mais apertado, pois os preços atuais ainda não refletem a alta prevista nos fertilizantes para os próximos meses”, explicou.

Mamão – O levantamento realizado na quinta-feira (26), em Itamaraju e Prado (BA), considerou uma propriedade modal de 45 hectares com cultivo de mamão Havaí em sistema irrigado. O manejo inclui cerca de oito meses de formação e 12 meses de produção, com dois ciclos de colheita.

Produtores destacaram que o cultivo é predominantemente consorciado com o café, prática que tem contribuído para a viabilidade da atividade e melhor manejo das culturas.

Eucalipto – O painel ocorreu na terça-feira (24), em Campo Grande (MS), em formato virtual. A propriedade modal considerada foi de 2.000 hectares em 2026, com incremento médio anual (IMA) de 35 m³/ha/ano. A madeira, destinada à produção de celulose, é colhida no sétimo ano.

De acordo com a assessora técnica Eduarda Lee, apesar do aumento das operações de controle de pragas, a região apresentou resultados superiores aos de 2024, com crescimento de 45% na margem líquida e de 57% no lucro, impulsionados pela maior demanda por madeira.

Cana-de-açúcar – O levantamento foi realizado em Cianorte (PR), em painel virtual na quarta-feira (25). A propriedade modal considerada possui 50 hectares e seis cortes por ciclo produtivo.

Para a safra 2026/2027, a expectativa é de aumento na produtividade, que deve atingir 80 toneladas por hectare, com qualidade da matéria-prima em torno de 125 kg de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada.

“O plantio, que já era majoritariamente mecanizado, deve alcançar 100% de mecanização no ciclo atual. Apesar de apresentar margem líquida positiva, a receita ainda é insuficiente para cobrir os custos totais, considerando os custos de oportunidade”, explicou Eduarda Lee.

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