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Paraná

Senar-PR auxilia no fortalecimento da viticultura do Paraná
Uvas

Programa estadual foca na revitalização da cadeia, com diversas ações, incluindo a capacitação de técnicos e produtores rurais

20 de abril 2023

Em 2023, a viticultura paranaense vai receber incentivos para estimular a produção de uvas e seus derivados. O Programa de Revitalização da Viticultura Paranaense (Revitis), criado pelo governo do Estado em 2019, está intensificando as atividades neste ano, retomando os projetos de fomento após a pandemia. O Revitis busca integrar a cadeia produtiva da uva, capacitar produtores e reestruturar a rede estadual de pesquisa para a viticultura, além de promover o turismo relacionado à cultura.

No âmbito do Revitis, o SENAR-PR atua na capacitação de técnicos do Instituto Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), prefeituras e cooperativas. Posteriormente, esses profissionais prestam assistência técnica aos produtores apoiados pelo programa, para que estes aumentem a produção com qualidade.

Para isso, o SENAR-PR desenvolveu uma capacitação específica para o programa. Os módulos ocorrem de acordo com o ciclo da cultura, com término previsto para maio de 2024, junto com a colheita da uva. Até o momento, foram realizados três módulos: “Panorama e mercado da viticultura”, “Cultivares de uva para mesa e para processamento” e “Planejamento e implantação”.

“Vamos abordar todos os aspectos técnicos da cultura, como tipo de solo, nutrição, poda e sistemas de condução, manejo, pragas e doenças, entre outros. Também vamos trazer temas de relevância para o produtor atuar no mercado, como gestão ambiental, ESG, certificação, rotulagem e rastreabilidade, além da industrialização e boas práticas de fabricação”, afirma Vanessa Reinhart, técnica do Departamento Técnico (Detec) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Apoio

Desde 2019, o Revitis apoiou diretamente 382 agricultores familiares, 17% dos viticultores do Estado, e firmou convênios com 28 municípios em 13 núcleos regionais. Este suporte faz parte do primeiro eixo estabelecido pelo programa, de incentivo à produção. O Revitis também envolve a comercialização, desenvolvimento do turismo e apoio à agroindústria. O aporte da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) é de mais de R$ 7 milhões, além de R$ 622 mil pelas prefeituras.

“As parcerias com os municípios são fundamentais para o Revitis ter capilaridade, atingindo os pequenos produtores, que são, em sua maioria, quem trabalha com a viticultura no Paraná. Cada grupo de produtores tem uma característica e o Revitis vai atender conforme as demandas”, destaca Ronei Andretta, coordenador do programa.

Recentemente, por exemplo, o município de Rio Negro em parceria com o governo estadual e a Cooperante, cooperativa agrícola da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), adquiriu um caminhão com carroceria isotérmica. Em Santa Tereza do Oeste, no Oeste do Paraná, um viveiro de mudas foi instalado em um centro de pesquisa do IDR-Paraná, para disponibilizar material genético aos produtores.

Desafios e oportunidades

Atualmente, o Paraná ocupa a quinta posição na produção nacional de uvas, com média de 52 mil toneladas. Em 2019, um diagnóstico da viticultura estadual identificou perda de área e volume de produção, devido à competição com o mercado de outras regiões e ao uso indevido de defensivos agrícolas.

“Havia expectativa de aumento da capacidade de processamento da uva em até quatro vezes. Até 2019, praticamente toda a matéria-prima já estava vindo de Estados vizinhos, principalmente Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Identificamos essa oportunidade para o fortalecimento das pequenas propriedades e rotas turísticas do Paraná, e criamos o Revitis”, conta Andretta. Com o programa, a expectativa é ampliar a área plantada para mais de 6 mil hectares (hoje são 3,6 mil hectares).

De acordo com a Seab, as indústrias estaduais importam mais de 90% das uvas de mesa que utilizam para fazer sucos e vinhos coloniais e cerca de 84% das uvas para vinhos finos. Por outro lado, a qualidade da uva paranaense já é reconhecida. Os selos de Indicação Geográfica (IG) das uvas finas de mesa de Marialva e dos vinhos de Bituruna garantem o reconhecimento da origem dessas especialidades, o que agrega valor ao produto e impulsiona o turismo.

No aspecto da comercialização, segundo Andretta, a proposta é criar um parâmetro de preços para produtores e agroindústrias, permitindo maior remuneração por produtos de melhor qualidade. Ainda, há a proposta de criação de uma câmara técnica setorial de viticultura, responsável por deliberar sobre as políticas pública da cadeia produtiva, e criação de linhas de crédito.

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