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Impulsionado pelo crescimento de 11,7% da agropecuária, PIB brasileiro fecha 2025 com alta de 2,3%

Por CNA 4 de março 2026
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Comunicado Tecnico PIB Brasil Edicao 03 2026
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O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, na comparação com 2024. Esse é o segundo maior resultado da série histórica, ficando atrás apenas de 2023, quando o setor registrou alta de 15,1%. O resultado da agropecuária impulsionou o PIB brasileiro, que avançou 2,3% em 2025, totalizando R$ 12.739,6 bilhões no ano. Sem o crescimento da atividade agropecuária, o PIB Brasil teria crescido apenas 1,5%, o que significa que agropecuária foi responsável por um terço da expansão econômica do País no ano. Com esse resultado, a participação do setor alcançou 7,5% do PIB total, o maior da série histórica iniciada em 1996. Os demais setores da economia registraram crescimento mais modesto, de 1,8%, no caso de Serviços, e de 1,4%, no caso da Indústria.

Pela ótica da demanda, o crescimento no ano foi impulsionado pelo setor externo, que registrou alta de 6,2% nas exportações, com destaques para agropecuária, extração de petróleo e veículos automotores. Também contribuiu a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que avançou 2,9%. Mas esse resultado decorre do aumento das importações de bens de capital, do desenvolvimento de software e do desempenho da construção, que compensaram a queda na produção interna de bens de capital. Com isso, o resultado ficou bem abaixo do observado em 2024, quando a FBCF havia crescido 6,9%. O componente de maior peso no PIB, o Consumo das Famílias, cresceu 1,3% no acumulado de 2025, resultado que reflete a dinâmica do mercado de trabalho, do crédito e dos programas governamentais de transferência de renda. Todavia, esse desempenho representa uma desaceleração significativa em relação a 2024, quando o avanço foi de 5,1%. Já o Consumo do Governo registrou crescimento de 2,1%, 0,1 ponto percentual acima do verificado no mesmo período de 2024 (2,0%). Observa-se, portanto, que os componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo de aperto da política monetário, especialmente o investimento produtivo (FBCF), apresentaram arrefecimento, em um contexto de taxas de juros elevadas.

As Tabelas 1 e 2 apresentam os resultados trimestrais das variações do PIB Brasil e da Agropecuária desde 2024. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o PIB nacional registrou alta de 0,1%, após registrar crescimento nulo no terceiro trimestre de 2025 frente ao trimestre imediatamente anterior. Já na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 1,8%.

Tabela 1. VARIAÇÃO DO PIB BRASIL (em %)

PIB Brasil Tabela 01

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais - IBGE. Elaboração DTec/CNA

Considerando os resultados da Agropecuária, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o PIB do setor avançou 0,5%, ligeiramente acima do registrado no terceiro trimestre de 2025 (0,3%). Já na comparação com o mesmo trimestre de 2024, o crescimento foi de 12,1%, resultado que contribuiu de forma significativa para a geração de valor adicionado na economia.

Tabela 2. VARIAÇÃO DO PIB DA AGROPECUÁRIA (em %)

PIB Brasil Tabela 02

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais - IBGE. Elaboração DTec/CNA

O expressivo crescimento do PIB da Agropecuária em 2025 é explicado pelas contribuições da agricultura, com destaque para o desempenho de culturas de elevada relevância para o Valor Bruto da Produção (VBP) e para a pauta exportadora brasileira, como soja e milho.

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, com dados consolidados até dezembro de 2025, verificou-se aumento na produção da grande parte das lavouras acompanhadas. Destacam-se os avanços do milho (23,6%), da soja (14,6%), da laranja (28,4%), do café robusta (22,9%), do arroz (19,4%) e do algodão (11,4%). O resultado reflete, principalmente, a recuperação da produtividade em importantes regiões produtoras, após adversidades climáticas observadas em 2024. Assim, a combinação entre safra volumosa, ganhos de produtividade e o crescimento na demanda externa contribuiu para elevar o valor adicionado da agropecuária.

No segmento pecuário, também houve avanço relevante da produção. De acordo com os dados preliminares do 4º trimestre de 2025, divulgados pelo IBGE, o abate de bovinos cresceu 7,6% em relação ao ano anterior, alcançando o recorde de 42,71 milhões de cabeças. Na mesma base de comparação, o abate de suínos aumentou 3,4% e o de frangos, 2,7%, ambos também configurando recordes na série histórica iniciada em 1997. O desempenho da pecuária foi favorecido por maior oferta de animais para abate e dinamismo das exportações, especialmente no caso da carne bovina.

Em conjunto, os resultados da agricultura e da pecuária explicam o forte crescimento interanual da agropecuária em 2025, consolidando o setor como o principal responsável pela expansão do PIB no ano, em um contexto de moderação do consumo das famílias e desaceleração do investimento produtivo.

Quanto aos setores e aos subsetores da economia, considerando o acumulado de 2025 em relação a 2024, a maior variação positiva do setor agropecuário (11,7%). Na sequência, estão as indústrias extrativas (8,6%), Informação e comunicação (6,5%) e Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (2,9%). Por outro lado, o setor eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos apresentou queda de 0,4% e as indústrias de transformação queda de 0,2%. O gráfico 1 apresenta os resultados do PIB dos setores e subsetores, considerando a variação acumulada de 2025 em relação a 2024.

Gráfico 1. VARIAÇÃO DOS SETORES E SUBSETORES

Variação do acumulado de 2025 em relação a 2024 – em %

PIB Brasil Tabela 03

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais - IBGE. Elaboração DTec/CNA


Considerações finais

Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 2,3% em relação a 2024. Apesar do resultado positivo, observa-se uma desaceleração frente ao desempenho do período 2024/2023, quando a economia avançou 3,4%. Trata-se, ainda, da menor taxa de crescimento desde o período pós pandemia.

O resultado do PIB nacional foi impulsionado, principalmente, pelo desempenho da agropecuária, que registrou expressiva alta de 11,7% no ano. Sem a contribuição do setor, o crescimento da economia brasileira teria sido significativamente mais modesto, estimado em 1,5%, o que indica que a agropecuária respondeu por aproximadamente um terço da expansão econômica total em 2025.

Com esse desempenho, a participação da agropecuária no PIB total alcançou 7,54%, representando incremento de 0,63 ponto percentual em relação a 2024 (6,91%). O crescimento do setor e o aumento de sua participação decorreram, sobretudo, de condições climáticas favoráveis em grande parte das regiões produtoras, além da resiliência dos produtores rurais, que, mesmo diante de um cenário desafiador, marcado por juros elevados, aumento do endividamento, insegurança jurídica e restrições orçamentárias em políticas agrícolas relevantes, mantiveram-se na atividade produtiva, contribuindo para a segurança alimentar do País e do mundo.

Além da forte contribuição para o crescimento econômico, o aumento da produção agropecuária também favoreceu a desaceleração dos preços dos alimentos. A inflação do grupo Alimentação no Domicílio encerrou o ano com alta acumulada de 1,43%, contra 8,23% registrados em 2024, contribuindo para a recomposição do poder de compra das famílias e para o atingimento da meta de inflação no ano.

O principal destaque de 2025 foi a safra de grãos, especialmente soja e milho, principais culturas da produção nacional, além do bom desempenho da produção animal, com ênfase na bovinocultura de corte e de leite. Também apresentaram resultados relevantes a laranja, o arroz e o café robusta. Mas nem todas as culturas registraram desempenho positivo, havendo retração em atividades como feijão e cana-de açúcar.

Para 2026, o forte crescimento da agropecuária observado em 2025 não deve se repetir, sendo projetada alta mais moderada, de 1,22%. Apesar das perspectivas climáticas favoráveis, permanecem riscos associados a eventos adversos que podem afetar produção e produtividade. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra brasileira de grãos 2025/2026 deverá totalizar 353,37 milhões de toneladas, crescimento de 0,40% em relação à safra anterior. A expectativa de alta mais contida também reflete a elevada base de comparação de 2025, o que tende a limitar a magnitude da variação anual.

Adicionalmente, observam-se importantes fatores de risco para o setor este ano. No cenário internacional, persistem e se agravam incertezas associadas ao contexto geopolítico, com as tensões e conflitos bélicos e as práticas tarifárias, com potenciais impactos sobre custos de produção e sobre o escoamento das exportações brasileiras. No âmbito doméstico, o ano eleitoral pode ampliar a volatilidade cambial e pressionar os gastos públicos, influenciando as decisões de política monetária. Ressalte-se que ainda que haja expectativa de redução da taxa básica de juros ao longo do ano, projeta-se manutenção da Selic em patamar elevado (12% no fim de 2025), o que implica elevado custo de financiamento com recursos livres e maior pressão sobre a equalização de juros no âmbito do Plano Safra.

Por fim, a previsão de recuo nos preços de parte das commodities agrícolas e de segmentos da pecuária, deve impactar negativamente a renda do produtor rural. Diante desse cenário, a CNA reforça a necessidade de intensificar os esforços para assegurar políticas agrícolas adequadas, capazes de garantir a sustentabilidade e a resiliência do setor no médio e longo prazo, preservando seu papel como um dos principais motores do crescimento econômico nacional.

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