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PIB brasileiro desacelera no segundo trimestre de 2025

PIB Brasil

Por CNA 5 de setembro 2025
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O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 0,4% no segundo trimestre de 2025, na comparação com o primeiro trimestre, com ajuste sazonal, totalizando R$ 3,2 trilhões no período. O resultado ficou pouco acima das expectativas de mercado, com a Agência Estado e a Bloomberg projetando crescimento de 0,3% no período. O resultado representa um arrefecimento frente ao resultado do primeiro trimestre do ano, quando o PIB havia crescido 1,4% frente ao 4º trimestre de 2024.

O resultado foi puxado, pelo lado da demanda, pelo consumo das famílias (0,5%) e pelas exportações (0,7%). Por outro lado, consumo do governo e o investimento (Formação Bruta de Capital Fixo) registraram queda de 0,6% e 2,2%, respectivamente. O crescimento no consumo das famílias é sustentado de uma conjugação de fatores, como o mercado de trabalho aquecido, avanços no rendimento médio do trabalhador e volume de recursos direcionados a benefícios sociais.

Pelo lado da oferta, houve crescimento dos serviços (0,6%) e da indústria (0,5%). A agropecuária registrou pequena queda, de 0,1%. O gráfico 1 apresenta os resultados do PIB a preços de mercado, comparando os resultados trimestrais frente aos trimestres anteriores.

Gráfico 1. PIB A PREÇOS DE MERCADO

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Na comparação com igual período de 2024, o PIB cresceu 2,2% no segundo trimestre do ano. No acumulado deste ano e no acumulado dos quatro últimos trimestres, o indicador registrou avanços de 2,5% e 3,2%, respectivamente. A Tabela 2 apresenta os resultados mais detalhados com relação ao PIB brasileiro nos últimos trimestres.

Tabela 2. VARIAÇÃO DO PIB (em %)

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O PIB agropecuário registrou queda de 0,1% no 2º trimestre de 2025, quando comparado ao trimestre imediatamente anterior, sendo importante destacar que o resultado se deve a forte base de comparação, uma vez que parte expressiva da produção agrícola se concentra no primeiro trimestre do ano. Na comparação com igual período de 2024, o PIB da agropecuária cresceu 10,1%, resultado do bom desempenho tanto de produtos da lavoura quanto da pecuária neste período. No acumulado ao longo de 2025, comparado ao mesmo período do ano anterior, o PIB da agropecuária também reportou forte avanço (10,1%). Já na comparação dos últimos quatro trimestres com os quatro trimestres imediatamente anteriores, o avanço foi de 5,8%. A tabela 3 apresenta o resultado do PIB da agropecuária nos últimos trimestres. A partir desse resultado e considerando as expectativas para o segundo semestre, a CNA estima que o PIB agropecuária fique em torno de 7% em 2025. Com isso, a participação do setor em relação ao PIB brasileiro deve avançar de 5,6% em 2024, para 7,0% em 2025.

Tabela 3. VARIAÇÃO DO PIB DA AGROPECUÁRIA (em %)

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Com relação aos setores e os subsetores, considerando a variação entre os trimestres, destaca-se a expansão positiva da indústria extrativa (5,4%), das atividades financeiras (2,1%), do setor de informação e comunicação (1,2%) e do transporte, armazenagem e correios (1,0%).

Do lado do desempenho negativo, destacam-se a eletricidade e gás, água, esgoto, atividade de gestão de resíduos (-2,7%), a indústria de transformação (-0,5%) e da administração, saúde, educação pública e seguridade social (-0,4%). O gráfico 2 apresenta os resultados do PIB dos setores e subsetores, considerando a variação do segundo trimestre de 2025 em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Gráfico 2. VARIAÇÃO DOS SETORES E SUBSETORES

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O gráfico 3 apresenta algumas das principais culturas com maiores altas e quedas na produção, estimadas pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), também realizado pelo IBGE. O período de comparação é entre agosto deste ano com o resultado consolidado do ano anterior.

Como pode ser observado, dentre as culturas com maior representatividade no Valor Bruto da Produção (VBP), o bom desempenho do milho (20%), da soja (14%), do café robusta (17%), dentre outras culturas que, embora não representativas, apresentaram crescimento robusto, refletiu no resultado do PIB do setor. Por outro lado, algumas culturas como castanha-de-caju, café arábica e cana-de-açúcar apresentaram variações negativas na estimativa de produção deste ano, respectivamente iguais a -9%, -6% e -2%, comparado a 2024.

Gráfico 3. VARIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE 2025 (ESTIMATIVA ATÉ AGOSTO) EM COMPARAÇÃO COM 2024

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Considerações finais

O resultado da atividade econômica no segundo trimestre de 2025 (0,4%) mostra desaceleração em relação ao observado no primeiro trimestre do ano (1,4%), na comparação com os trimestres imediatamente anteriores. Esse desempenho se deve ao fato de que o setor agropecuário, que havia sustentado a expansão do PIB no início do ano, perdeu tração em razão da sazonalidade típica da atividade, enquanto os demais setores da economia apresentaram crescimento mais moderado. Atualmente, o mercado projeta crescimento de 2,19% para o PIB brasileiro em 2025 (mediana das projeções apresentadas ao Banco Central do Brasil).

A agropecuária (dentro da porteira) registrou queda de 0,4% no segundo trimestre frente ao trimestre imediatamente anterior. O resultado já era esperado em razão da sazonalidade do setor, dado que grande parte da produção agrícola se concentra no primeiro trimestre. Ressalte-se, entretanto, o excelente desempenho na comparação interanual: alta de 10,1% no segundo trimestre de 2025 frente ao mesmo período de 2024, refletindo a boa safra atual e o crescimento da produção pecuária, com aumento dos abates de bovinos, suínos e aves. Importante destacar ainda que não houve impacto relevante da gripe aviária em plantéis comerciais sobre o desempenho do setor, já que o surto foi rapidamente controlado e parte da produção de frango não exportada, em virtude dos embargos temporários, foi absorvida pelo mercado doméstico.

Entre os desafios para o setor em 2025, destaca-se a política monetária fortemente contracionista. As altas taxas de juros elevam os custos de produção e dificultam a renovação de pacotes tecnológicos, sobretudo por se tratar de contratações de longo prazo com taxas pré-fixadas. Soma-se a isso o ambiente instável no comércio internacional, marcado por restrições impostas pelos Estados Unidos, que aumentam a incerteza e afetam as decisões de investimento dos produtores rurais.

Diante desse cenário, e considerando a importância das políticas agrícolas para o fomento da produção e da produtividade no campo, ganha relevância o atual debate sobre o orçamento do Agro no âmbito do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) e do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para o próximo ano. É fundamental que sejam assegurados recursos para áreas estratégicas como pesquisa, defesa sanitária, subvenção ao crédito rural oficial, seguro rural, entre outros programas essenciais para a produção de alimentos no País.

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