CNA levanta custos de produção de café e leite em São Paulo e no Rio Grande do Sul
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Painéis do projeto Campo Futuro reuniram produtores, sindicatos e federações
Brasília (12/04/2024) – Os técnicos do projeto Campo Futuro deram início, nesta semana, aos levantamentos de custos de produção da agropecuária. Os painéis ocorreram nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul com produtores de café e leite.
Café – O primeiro encontro de café arábica foi realizado na quarta (10), no Sindicato Rural de Franca, com a presença de produtores rurais, representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e do Centro de Inteligência em Gestão e Mercado da Universidade Federal de Lavras (CIM/UFLA).
De acordo com a assessora técnica da CNA, Raquel Miranda, os resultados apontam uma redução do Custo Operacional Efetivo (COE) de 8%, em relação ao levantamento do ano anterior, influenciado pela queda de preços dos fertilizantes (-46%) e defensivos (-16%).
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Por outro lado, os custos de mão de obra e mecanização tiveram um incremento de 28% e 19%, respectivamente. “O pequeno recuo dos custos de produção com a recente valorização do café possibilitou aos produtores de Franca margens bruta e líquida positivas. Porém, considerando o custo de oportunidade, o modal apresenta prejuízo, principalmente em relação ao elevado volume de capital da atividade”.
O painel realizado em Caconde na quinta (11), na sede do sindicato rural, apontou cenário semelhante ao de Franca. O COE também recuou 1% em comparação com o painel de 2023. A mão de obra e os corretivos tiveram um incremento nos custos de 33% e 43% respectivamente, enquanto os fertilizantes e defensivos tiveram uma redução de 26% e 13% respectivamente.
O cenário econômico é de margens bruta e líquida positivas. “No entanto, considerando o custo alternativo, há uma situação de prejuízo devido ao alto valor de estoque de capital que é diluído em apenas 5 hectares”, explicou Raquel.
Leite – Para levantar os custos de produção de leite, o projeto visitou durante a semana os municípios de Pelotas, Três de Maio, Tenente Portela e Palmeira das Missões. Participaram dos painéis produtores, técnicos, representantes de revendas agropecuárias e agentes industriais, que caracterizaram as propriedades modais mais representativas em cada região.
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Segundo o assessor técnico da CNA, Guilherme Souza Dias, os dados foram utilizados para verificar a saúde financeira dos empreendimentos, correlacionando a receita bruta com os custos de produção em três níveis: custo operacional efetivo, que representa os desembolsos dos produtores; custo operacional total, que além dos desembolsos, inclui a depreciação e pró labore; e custos totais, que além dos demais, ainda engloba o custo de oportunidade e remuneração do capital imobilizado.
Conforme esperado, os desembolsos com alimentação comprometeram a maior parte da receita obtida pelo leite, variando entre 48% e 64%, com concentrados respondendo pela maior fração desse percentual. “O que chama a atenção é que em relação ao histórico dos painéis no Brasil, os desembolsos com a ração por vezes se mostraram aquém, fato justificado pela exploração de pastagens de inverno, de elevada qualidade nutricional e que reduzem a necessidade de fornecimento da ração no cocho”, disse.
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De maneira geral, todas as propriedades cobriram os desembolsos realizados, sinalizando sua sustentabilidade no curto prazo. Entretanto, metade dos sistemas produtivos não foram capazes de remunerar a depreciação das instalações e pró labore do produtor, denotando a necessidade de ajustes no sistema produtivo para viabilizar a atividade no médio prazo.
“Dado o elevado capital imobilizado na atividade, não foi possível remunerar os custos totais”, explicou Dias.