CNA levanta custos de produção de café, peixes, cana e leite
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Painéis do projeto Campo Futuro foram realizados em Rondônia, Mato Grosso e Paraná
Brasília (17/05/2024) – Os técnicos do projeto Campo Futuro realizaram, de segunda (13) a sexta (17), levantamentos de custos de produção de cana-de-açúcar, café, peixes e leite. Os encontros ocorreram nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Paraná.
Os painéis para coletar as informações sobre a realidade produtiva das regiões contaram com a participação de produtores rurais, representantes de sindicatos, federações estaduais de agricultura e entidades de pesquisa.
Confira os destaques para cada cultura:
Cana (Jacarezinho e Cianorte – PR): Em Jacarezinho, a propriedade modal definida foi de 72 hectares de área própria de produção, com produtividade média estipulada para a safra 2024/25, de 81 toneladas por hectare, com qualidade de matéria-prima de cerca de 130 quilogramas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana.
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O painel realizado em Cianorte apontou uma propriedade modelo de 50 hectares, produtividade de 82,64 toneladas por hectare e 125 quilos de Açúcar Total Recuperado (ATR) por tonelada de cana. Em ambos os sistemas, a colheita é 100% mecanizada.
Café robusta (Cacoal – RO): De acordo com os dados levantados, a propriedade modal em Cacoal possui 3,5 hectares de café robusta amazônico, produzido em sistema irrigado. Comparado ao último levantamento realizado em 2022 no município, a produtividade da região aumentou, passando de 50 sacas/ha para 67 sacas/ha.
Ao analisar os custos de produção, o maior desembolso na colheita, secagem e beneficiamento do café elevaram o Custo Operacional Efetivo (COE) em 17,8%. Entretanto, os melhores preços de comercialização do café superaram esse aumento nos custos, resultando em margens positivas.
Peixe Tambatinga (Alta Floresta – MT): A propriedade modal determinada pelos produtores dos municípios de Carlinda, Apiacás, Paranaíta e Alta Floresta possui, em média, 50 hectares de área total, com 7 hectares destinados a área de piscicultura e com 3,5 ha de lâmina d’água (área em produção de peixes).
Os alevinos são alojados com peso aproximado de 4 gramas em viveiros berçários e saem em 90 dias com 200g para os viveiros de engorda atingindo peso final de 2 quilos em 7 meses. Nesta propriedade modal, os custos operacionais com ração, mão-de-obra e administrativo correspondem a 56%, 23% e 15%, respectivamente.
Leite (Cascavel, Umuarama e Castro – PR): O levantamento de custos de produção da pecuária de leite em Cascavel apontou novamente o sistema compost barn, com cerca de 2 mil litros de leite por dia, com vacas produzindo, em média, 28 litros/dia.
A receita obtida pelo leite foi suficiente para remunerar os desembolsos da atividade, mas não o pró-labore e a depreciação da atividade. Os custos com a alimentação comprometeram a maior parte dessa receita, em torno de 51%, com o concentrado tendo a maior participação, respondendo por cerca de 30% da receita obtida com o leite.
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Já em Umuarama a propriedade possui média baixa tecnologia, com a utilização de mão de obra familiar e captação em torno de 250 litros por dia. O sistema é baseado em pastagem, com a suplementação de volumoso e também a utilização de concentrado. A produção leiteira do município permitiu remunerar os desembolsos.
Em relação ao pró-labore do produtor e a depreciação da sua infraestrutura, a atividade exige ajustes técnicos para conseguir renovar a sua estrutura no médio prazo. O principal item foi o desembolso com a alimentação, que comprometeu 39% da receita obtida com o leite.
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Em Castro, foram caracterizadas propriedades de alto nível tecnológico, onde a produção de cerca de 6 mil litros dia foi capaz de remunerar tanto os desembolsos da atividade quanto a depreciação e o pró-labore do produtor.
Os animais são da raça holandesa pura e produzem em torno de 32 litros por dia em um sistema free-stall (áreas com camas individualizadas, corredores de acesso e pistas de trato). A alta tecnologia empregada na atividade permitiu uma taxa de remuneração do capital em torno de 7,5%, superando o investimento comum em poupança.
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A elevada produtividade da mão de obra chamou a atenção, uma vez que o elevado volume de produção permitiu diluir os gastos com esse item de produção, que girou em torno de 950 litros por homem ao dia.