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IPCA ultrapassa o centro da meta do ano e atinge 4,53%, no acumulado em 12 meses

Os alimentos contribuíram para que a inflação não fosse mais alta nesse mês

Por CNA 9 de outubro 2018
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou alta de 0,48% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro/2018 na data de 05 de outubro. No último mês de agosto, o índice havia apresentado queda de -0,09%. A inflação registrada no mês de setembro veio acima das expectativas de mercado, que apontava estimativas de crescimento entre 0,28% e 0,48%, com mediana de 0,44%, segundo Projeções Broadcast - pesquisa realizada com 50 instituições em 03 de outubro.

Os alimentos contribuíram para que a inflação não fosse mais alta nesse mês. Apesar da alta de 0,10% no mês do grupo “Alimentação e Bebidas”, o subgrupo “alimentação no domicílio” apresentou estabilidade no mês de setembro (0,00), depois de duas quedas consecutiva pois em agosto havia registrado retração de -0,72% e, em julho, -0,59%. O subgrupo “alimentação fora do domicílio” registrou alta de 0,29% no mês, o que contribuiu para a leve alta do grupo “Alimentação e Bebidas”.

Apesar da estabilidade apresentada nos alimentos no domicilio, alguns alimentos proporcionaram queda nos preços e os destaques foram: cebola (de -22,19% em agosto para    -12,85% em setembro), batata-inglesa (de -11,89% para -8,11%), leite longa vida (de -3,48% para -5,82%) e ovos (de -2,91% para -2,15%). Por outro lado, outros colaboraram para aumentar os preços dos alimentos e as frutas (de 0,60% para 4,42%) e o arroz (de 2,51% para 2,16%) contribuíram para isso.

Dentre os alimentos que apresentaram alta nos preços, as frutas apresentaram um aumento de 4,42% no mês de setembro. Nessa época do ano, por conta da elevação das temperaturas, ocorre o aumento do consumo de frutas, principalmente das cítricas, o que impacta no preço. Outro fator que colaborou para a inflação dos preços das frutas foi a boa qualidade – muito por conta do clima – dos produtos e, por conta disso, os varejistas puderam cobrar mais, principalmente, do mamão e da uva.

O arroz foi outro alimento que apresentou aumento de preços (2,16%). O aumento da exportação de arroz contribuiu para diminuir os estoques internos e, consequentemente, aumentar o preço no mercado brasileiro, especialmente nesse mês de setembro.

Por outro lado, a queda no preço da cebola (-12,85%) no mês de setembro foi devido ao excesso de oferta, pois se encontra na época de colheita nas principais regiões produtoras, como em São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A região da Bahia, também importante produtora, já está no final da safra por conta do clima da região, porém também contribui para aumentar a oferta nesse mês.

Apesar de já ter passado a época de colheita, em setembro, a batata apresentou queda no preço (-8,11%) e isso ocorreu por que algumas regiões produtoras – como em São Paulo – postergaram a colheita por causa de questões climáticas (chuvas) e como consequência houve o aumento de oferta.

O leite longa vida também apresentou retração nos preços (-5,82%). Normalmente o segundo semestre é caracterizado por queda nos preços do leite longa vida em comparação ao primeiro semestre devido ao aumento de oferta de leite no campo. Além disso, a queda nos preços reflete a dificuldade em vender os grandes volumes a altos preços, lembrando que, apesar da queda do preço também em agosto de -3,48%, em junho houve o aumento de +15,63% e, em julho, +11,99%, o que acabou levando os consumidores a diminuir o consumo de leite.

Por fim, os ovos apresentaram queda nos preços de -2,15% em setembro devido ao excesso de oferta. Há dois fatores que explicam esse efeito sendo o primeiro o aumento do alojamento de galinhas poedeira (12% acima do ano anterior) e, o segundo, a queda no consumo. Dessa forma, os estoques dos produtores seguiram altos durante todo o mês, e, especialmente, nas duas últimas semanas de setembro, quando o orçamento dos consumidores já estava comprometido, a queda nos preços foi ainda mais acentuada, levando a cotação a um dos patamares mais baixos do ano.

É importante destacar que o grupo que mais contribuiu para o aumento da inflação no mês de setembro foi o de Transporte que passou de -1,22% em agosto para 1,69% em setembro. O subgrupo que mais colaborou para esse aumento foi o de combustíveis (que em agosto havia registrado queda de 1,86% para alta de 4,18% em setembro). Cabe destacar o óleo diesel que passou de retração de -0,29% em agosto para alta de 6,91% em setembro lembrando que o preço do óleo diesel nas refinarias foi reajustado em 13,00% a partir de 31 de agosto o que fez com que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) reajustasse para cima a tabela de frete mínimo onerando o produtor rural.

Por fim, a alta dos preços no mês de setembro deu um sinal de alerta em relação à inflação: o IPCA acumulado 12 meses chegou a 4,53%, que é acima do centro da meta de inflação para o ano (4,5%). O acumulado do ano já registra uma inflação de 3,34%, acima da inflação no mesmo período do ano passado (1,78%) e acima ainda da inflação do ano de 2017 inteiro, que foi de 2,95%. No entanto, as expectativas ainda soam positivas pois a Pesquisa Focus do Banco Central demonstra que a inflação irá encerrar 2018 em 4,40% (divulgada em 08 de outubro de 2018).

Portanto, a preocupação com a expectativa de aumento de inflação deriva da consequência de um aumento da taxa básica de juros (Selic, hoje em 6,5% a.a.), como já divulgado em nota pelo Banco Central, que pretende permanecer a taxa de juros nesse patamar baixo desde que não haja aumento da inflação. O aumento da Selic poderia onerar o produtor rural por encarecer os novos contratos de crédito rural tomado pelo produtor.

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