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PIB Brasil avança 0,9% no 3º trimestre de 2024

Por CNA 4 de dezembro 2024
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Comunicado Tecnico 55
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O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 0,9% no terceiro trimestre de 2024, em comparação ao trimestre imediatamente anterior, com ajuste sazonal. Pela ótica da oferta, o resultado foi impulsionado pelos setores de Serviços (0,9%) e Indústria (0,6%), enquanto a Agropecuária registrou queda de 0,9% na mesma base de comparação.

Pela ótica da demanda, o Consumo das Famílias foi o componente de destaque, com crescimento de 1,5%, impulsionado por programas governamentais e pela melhora no mercado de trabalho. Também contribuíram as altas na Despesa de Consumo do Governo (0,8%) e na Formação Bruta de Capital Fixo (2,1%). No setor externo, houve retração nas Exportações (-0,6%) e aumento nas Importações de Bens e Serviços (1,0%).

Nos últimos quatro trimestres o PIB brasileiro cresceu 3,1%, no acumulado do ano (janeiro à setembro) o crescimento foi de 3,3%, quando comparado ao resultado do terceiro trimestre de 2023, a alta foi de 4,0%. Na comparação interanual, os setores de Serviços e Indústria apresentaram crescimento de 4,1% e 3,6%, respectivamente, enquanto a Agropecuária registrou queda de 0,8%. Assim, o setor agropecuário, fortemente impactado por adversidades climáticas ao longo do ano, acumula retrações de 3,5% no ano e 2,9% nos últimos quatro trimestres.

Destaca-se que, no terceiro trimestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizou revisões dos resultados anteriores, abrangendo todos os trimestres de 2023 e 2024. As revisões deste ano foram mais amplas, resultando em ajustes positivos para a Agropecuária em 2023 (de 15,1% para 16,3%) e negativos para 2024 (de -3,3% para -5,5% no primeiro trimestre e de -2,9% para -3,3% no segundo trimestre, na comparação com os mesmos trimestres de 2023). Esse ajuste gerou um efeito estatístico ainda mais significativo sobre o setor, impactando as comparações interanuais.

Tabela 1 Tabela 2

Considerando o resultado do crescimento do PIB Brasil associada a queda no PIB da Agropecuária no período, a participação do setor no PIB total caiu para 6,29%. Apesar da queda do indicador, a participação segue acima da média histórica.

Quanto aos setores e subsetores da economia, comparando o terceiro trimestre de 2024 com o segundo, a maior queda foi registrada na Construção (-1,7%), seguida pelo setor de Eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos (-1,4%), Agropecuária (-0,9%) e Indústrias Extrativas (-0,3%). Puxando positivamente o resultado, destacam-se os subsetores ligados aos setores de Serviço: Informação e comunicação (2,1%), Outras atividades de serviços (1,7%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,5%) e Atividades imobiliárias (1,0%). Também teve destaque a Indústria de Transformação, com crescimento de 1,3%.

O gráfico 1 apresenta os principais resultados do PIB dos setores e subsetores, considerando a variação do terceiro trimestre de 2024 em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Grafico 1

Em 2024, o setor agropecuário acabou sofrendo fortes impactos sobre a sua produção em razão dos efeitos negativos do fenômeno climático El Niño. O efeito, porém, foi heterogêneo. Algumas culturas que concentram sua produção no primeiro semestre do ano, acabaram mais impactadas, como é o caso da soja e do milho. O gráfico 2 apresenta as culturas com maiores altas e quedas em 2024, em comparação aos resultados de 2023.

Devido a adversidades climáticas e doenças/pragas que afetaram as safras ao longo do ano, foram registradas quedas significativas nas produções de uva (-15,1%), laranja (-14,9%), milho (-11,9%), soja (-4,9%) e cacau (-3,7%). Esses recuos superaram o bom desempenho de culturas – sobretudo as de inverno - que avançaram sua produção no ano, como aveia (29,9%), algodão (14,5%), cevada (12,6%) e trigo (5,3%).

Grafico 2

Considerações finais

O resultado da atividade econômica no terceiro trimestre de 2024 (0,9%), comparado a trimestre anterior, ficou em linha com as projeções de mercado (0,8% pela Agência Estado e Bloomberg). Já a agropecuária apresentou retração de 0,9%, conforme esperado para este trimestre, devido à sazonalidade natural do setor. Na comparação com o mesmo trimestre de 2023, o setor registrou queda de 0,8%.

De janeiro a setembro, a agropecuária acumulou queda de 3,5%. A redução do setor está diretamente relacionada à quebra na safra de grãos, causadas pelas adversidades climáticas deste ano. Também influenciam o resultado, a revisão das Contas Nacionais Trimestrais, que acentuou ainda mais as diferenças entre as bases de comparação interanuais, com impacto no carregamento estático para 2024 e também para 2025.

Embora o crescimento do investimento seja uma notícia positiva, é importante acompanharmos o volume de poupança líquida mensurada pelo Banco Central, uma vez que esse indicador vem apresentando quedas (de 15,4% em 2023 para 14,9% em 2024). Isso pois, parte do investimento é atrelado à poupança, assim como o anúncio do Plano Safra, dessa forma, novas quedas substanciais no volume de poupança, poderá comprometer o crescimento sustentado do investimento e do próprio Plano Safra no longo prazo.

Assim, devido a revisão dos resultados anteriores, associada ao crescimento dos gastos das famílias e dos investimentos, o mercado deverá atualizar as projeções com resultados acima dos apresentados pelo Boletim Focus do Banco Central (atualmente estimado em 3,22%). Em razão disso, a CNA também revisará suas projeções para o ano.

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