Relações Internacionais Relações Internacionais acordo comercial Mercosul FARM

Declaração Conjunta do Fórum Empresarial Agrícola do Mercosul

Por CNA 6 de novembro 2025
Compartilhe:
Banner Declaracao Conjunta do Forum Empresarial Agricola do Mercosul

Diretoria de Relações Internacionais da CNA

Baixar publicação

Declaração Conjunta do Fórum Empresarial Agrícola do Mercosul

Como resultado do trabalho e discussões oriundas do 1º Fórum Empresarial Agrícola do Mercosul, realizado na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em Brasília/DF, no dia 05 de novembro de 2025, as entidades presentes recomendam aos governos do bloco, ações direcionadas ao:

  1. Enfrentamento das barreiras ao comércio e produção, em especial à legislação do desmatamento da UE (EUDR)

  2. Maior integração dos serviços de defesa, simplificação e redução de protocolos e digitalização de processos para redução de custos ao produtor

  3. Ampliação da pauta exportadora de produtos agropecuários do Mercosul


1) Enfrentamento das barreiras ao comércio e produção, em especial à legislação do desmatamento da UE (EUDR)

Nos últimos anos, o aumento das medidas protecionistas e a proliferação de barreiras comerciais tem impactado o comércio global e, em especial, o agronegócio sul-americano, cuja competitividade enfrenta barreiras técnicas, sanitárias e ambientais que restringem o acesso a mercados e elevam os custos de conformidade.

A Lei do Desmatamento da União Europeia (Regulamento UE 2023/1115) promove desigualdades comerciais, ao classificar países com graus de risco distintos e de maneira unilateral, favorecendo economias desenvolvidas e regiões de clima temperado, muitas das quais já exauriram seus recursos naturais.

Além disso, o regulamento previsto para entrar em operação no final de 2025, é inconsistente com as regras da OMC e ignora o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, prevista nos acordos internacionais, falhando em distinguir  entre desmatamento legal e ilegal e extrapolando ao legislar sobre o uso do solo de países terceiros. Os impactos negativos da legislação serão sentidos em todo o mundo, com o encarecimento dos custos de produção e comercialização, podendo levar a perda de mercados. De maneira especial impactam os países com vocação exportadora no agronegócio, como os países do Mercosul, prejudicando a segurança alimentar global, a renda dos produtores rurais e o desenvolvimento de países emergentes.

A complexidade processual da legislação imposta irá excluir produtores rurais do mercado internacional, especialmente os pequenos e médios, nesse sentido, se faz imprescindível que os representantes dos governos do Mercosul atuem para:

  • Postergar o início da cobrança da diligência devida pelo Regulamento 2023/1115 previsto para o final de 2025, para que suas diretrizes possam ser revistas com base nas regras internacionais de comércio e tratados internacionais, e/ou revogar definitivamente o regulamento na UE;

  • Estabelecer uma Agenda Mercosul, com posição comum do bloco e ações coordenadas em fóruns internacionais, para combater barreiras à produção e comércio, de maneira tempestiva e contundente;

  • Assegurar reconhecimento de equivalência com a União Europeia, das práticas de conservação ambiental adotadas nos países do Mercosul, e características edafoclimáticas únicas da região;

  • Reconhecer as práticas e legislações nacionais existentes, assim como a distinção de desmatamento legal e ilegal;

  • Fortalecer os organismos multilaterais e o respeito ás regras e acordos internacionais.

2) Maior integração dos serviços de defesa, simplificação e redução de protocolos e digitalização de processos para redução de custos ao produtor

No campo da sanidade animal, embora o Mercosul compartilhe marcos de referência da Organização Mundial de Saúde Animal - OMSA, ainda existem diferenças entre os países quanto às capacidades laboratoriais e aos sistemas de vigilância.

Essas assimetrias representam oportunidades de cooperação técnica e avanço na harmonização das normas. Para reconhecer protocolos de forma mais ágil, é necessário adotar avaliações sanitárias baseadas em risco, regionalização e compartimentação, além de estabelecer listas comuns de doenças de notificação, auditorias mútuas e uma pré-lista de estabelecimentos habilitados a exportar animais vivos e material genético.

Atualmente, os principais desafios incluem divergências regulatórias, prazos distintos, custos de certificação e baixa interoperabilidade de dados.

Com base nesse diagnóstico, o setor privado recomenda aos governos do Mercosul:

  • Implementar, via CVP, processos para avaliações sanitárias baseadas em risco, com regionalização reconhecida entre os países e acordos de reconhecimento mútuo de certificados, quarentenas e laboratórios.

  • Criar uma janela única sanitária regional, com certificação eletrônica interoperável e integração de sistemas de identificação, rastreabilidade, trânsito e bancos de dados laboratoriais e genéticos, além de manuais padronizados e prazos definidos.

  • Modernizar estações de quarentena e corredores logísticos dedicados para o trânsito de animais e material genético, com inspeções baseadas em risco, cronogramas previsíveis e planos coordenados de contingência para emergências sanitárias.

3) Ampliação da pauta exportadora de produtos agropecuários do Mercosul

Em relação à ampliação da pauta exportadora, é fundamental reconhecer que o Mercosul ainda não possui comércio preferencial com boa parte de seus principais mercados compradores.

Embora haja avanços, persistem lacunas nas relações com regiões estratégicas, como Europa, Ásia, Oriente Médio e América do Norte, o que reduz a previsibilidade tarifária e a segurança regulatória. A aceleração da agenda comercial requer coordenação entre os países, ofertas convergentes e capítulos sólidos sobre medidas sanitárias, fitossanitárias e de facilitação de comércio.

As aberturas de mercado devem se traduzir em ganhos reais de competitividade, com habilitações sanitárias ágeis, reconhecimento de equivalências, melhoria da logística, financiamento às exportações e promoção comercial baseada em inteligência de mercado.

A pauta exportadora do bloco permanece concentrada em poucos produtos e destinos, elevando a vulnerabilidade a choques de preço e a novas exigências regulatórias.

Com esse propósito, o setor privado propõe:

  • Fortalecer a rede de acordos e preferências tarifárias do Mercosul, priorizando negociações com Ásia, Oriente Médio e África e assegurando capítulos robustos de SPS, TBT e facilitação de comércio, com mecanismos de entrada em vigor provisória.

  • Intensificar os esforços negociadores com países desenvolvidos que representam oportunidades para o agro, como: Canadá, Coreia do Sul, Japão e economias dinâmicas como: México, Índia, Indonésia, EAU e Vietnã.

  • Assegurar ratificação célere, desde que não sejam incorporadas exigências adicionais, de acordos como UE, EFTA, Singapura.

  • Vincular cada acordo comercial a planos de habilitação sanitária e reconhecimento de equivalências, com equipes técnicas conjuntas, prazos claros e listas dinâmicas de estabelecimentos aptos a exportar.

  • Fomentar a diversificação produtiva e comercial, fomentando aberturas de mercado para produtos que representem setores expressivos das economias do bloco.

  • Garantir reequilíbrio de concessões nos acordos celebrados, no caso de barreiras comerciais e/ou novas exigências que alteram as condições de acesso ao mercado incluindo certificações, procedimentos e aumentando custos.

Áreas de atuação

Veja também

Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia
Publicações Nota técnica

Acordo de Parceria entre Mercosul e União Europeia

Relações Internacionais

22 de janeiro 2026

Ler publicação
Replantio da soja pode elevar custos em até 7,4 sacas por hectare
Publicações Campo futuro

Replantio da soja pode elevar custos em até 7,4 sacas por hectare

Cereais, Fibras e Oleaginosas

16 de janeiro 2026

Ler publicação
Mercado na aquicultura: o desafio de acompanhar seu dinamismo
Publicações Campo futuro

Mercado na aquicultura: o desafio de acompanhar seu dinamismo

Aquicultura

16 de janeiro 2026

Ler publicação
2ª edição do Manual de Boas Práticas das CADECs
Publicações Comunicado técnico

2ª edição do Manual de Boas Práticas das CADECs

Aves e Suínos

15 de janeiro 2026

Ler publicação
Panorama do Agro - Semana de 15 a 19 de dezembro
Publicações Boletins técnicos

Panorama do Agro - Semana de 15 a 19 de dezembro

19 de dezembro 2025

Ler publicação
Mercado Mundial de Equídeos
Publicações Documento técnico

Mercado Mundial de Equídeos

Equideocultura e Relações Internacionais Equideocultura e Relações Internacionais

16 de dezembro 2025

Ler publicação
Série Especial Conacarne - Aprendizados estratégicos durante o 1º Congresso Nacional da Carne
Publicações Campo futuro

Série Especial Conacarne - Aprendizados estratégicos durante o 1º Congresso Nacional da Carne

Núcleo de Inteligência de Mercado e Bovinocultura de corte Núcleo de Inteligência de Mercado e Bovinocultura de corte

15 de dezembro 2025

Ler publicação
Panorama do Agro - Semana de 8 a 12 de dezembro
Publicações Boletins técnicos

Panorama do Agro - Semana de 8 a 12 de dezembro

13 de dezembro 2025

Ler publicação