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Inflação de alimentos e bebidas cai 0,46% em agosto

IPCA

Por CNA 11 de setembro 2025
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A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou queda de 0,11% em agosto de 2025, ficando 0,37 p.p. abaixo da taxa registrada em julho (0,26%). Em agosto de 2024, o índice teve queda de 0,02%.

O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses imediatamente anteriores, porém acima do teto da meta para 2025, de 4,5%.

Gráfico 1: IPCA - Índice Geral e Grupos - Variação mensal (%)

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,11% em agosto de 2025, ficando 0,36 ponto percentual (p.p.) acima do registrado em julho (0,26%). Como base de comparação, em agosto de 2024 o índice havia apresentado queda de 0,02%. Quando observado a média histórica para o mês, agosto de 2025 ficou abaixo do resultado dos últimos cinco anos (0,14%).

Gráfico 2: IPCA - Meses de Agosto de cada ano (%)

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Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

Pelo terceiro mês seguido, o grupo de Alimentação e Bebidas registrou queda. Em agosto, o recuo foi de 0,46% com impacto negativo no IPCA do mês igual a 0,10 ponto percentual (p.p.). O subgrupo de Alimentação no Domicílio recuou 0,83%, sendo que a queda nos preços da manga (-18,4%), do tomate (-13,39%), do mamão (-10,90%), da batata-inglesa (-8,59%) e do café moído (-2,17%) contribuíram para esse resultado. No lado das altas, destacam-se o limão (24,90%), o pimentão (9,76%), a melancia (7,18%), a banana-prata (1,80%) e a carne de porco (0,76%). A Alimentação fora do Domicílio, por sua vez, registrou alta de 0,50%, porém com sinal de desaceleração comparado ao resultado do mês de julho (0,87%). No acumulado dos últimos 12 meses até agosto, o índice geral registrou aumento de 5,13%, com o grupo Alimentação e Bebidas apresentando alta de 7,42% e Alimentação no Domicílio de 7,01%.

O grupo Habitação também registrou queda, de 0,90%, devido à queda na energia elétrica residencial (-4,21%), subitem que exerceu o impacto mais intenso no índice geral (-0,17 p.p.). Esse resultado foi decorrente da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês de agosto, uma vez que segue vigente a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$7,87 na conta de luz a cada 100 kwh consumidos. O grupo de Transportes saiu de 0,35% em julho para -0,27% em agosto, reflexo da queda nas passagens aéreas (-2,44%) e nos combustíveis (-0,89%). Com redução de 0,94%, a gasolina registrou o segundo impacto individual mais intenso no índice (-0,05 p.p.). Etanol (-0,82%) e gás veicular (-1,27%) também caíram, enquanto o óleo diesel subiu 0,16%.

Outros grupos que registraram queda nos preços em agosto foram Artigos de Residência e Comunicação, ambos com variação negativa de 0,09%. Os demais grupos registraram aumento em seus preços, mas não suficiente para inverter o resultado de queda na inflação, dado o maior peso no Índice Geral dos grupos que registraram recuo no mês de agosto.

Gráfico 3: IPCA - Índice Geral e Grandes Grupos - Acumulado em 12 meses (%)

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Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

O que muda para o produtor?

Em agosto, além de Alimentação e Bebidas, os grupos Habitação e Transportes recuaram, refletindo a queda nos preços de energia elétrica e de combustíveis. Para o agro, o recuo da energia beneficia atividades intensivas em eletricidade, como irrigação e resfriamento. Mas importante ressaltar que esse recuo no preço foi pontual e que em setembro foi mantida a bandeira vermelha patamar 2. Nos combustíveis, enquanto gasolina, etanol e gás veicular caíram, o óleo diesel avançou 0,16%, o que impacta negativamente o produtor rural pelo peso desse combustível no maquinário agrícola, no transporte de insumos e no escoamento da produção.

Para fins de comparação, faz-se uma análise do índice de preços internacionais de produtos alimentícios calculado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), o Índice de Preços de Alimentos da FAO - IPFA, referente ao mês de agosto, com abrangência das categorias de cereais, óleos vegetais, carnes, laticínios e açúcar. O IPFA atingiu média de 130,1 pontos em agosto, praticamente inalterado em relação ao mês anterior. No geral, as quedas observadas nos preços mundiais de cereais e laticínios foram compensadas por aumentos nos índices de preços das carnes, açúcar e óleos vegetais.

O preço global das carnes atingiu 128,0 pontos em agosto, novo pico na série histórica e alta de 0,6% sobre julho e 4,9% em relação a agosto de 2024. A carne bovina liderou o avanço, sustentada pela forte demanda dos EUA, que valorizou as cotações australianas, e da China, que manteve em alta os preços das exportações brasileiras, mesmo após a queda nos embarques para os EUA devido a tarifas adicionais. Já a carne suína ficou praticamente estável, enquanto a de frango recuou diante da maior oferta exportável do Brasil. O açúcar alcançou média de 103,6 pontos, 0,2% acima de julho, refletindo as perspectivas de baixa produtividade no Brasil e forte demanda chinesa. No mercado de óleos vegetais, o índice chegou a 169,1 pontos, alta de 1,4%, com valorização dos óleos de palma, girassol e canola, não compensada pela queda observada do óleo de soja, influenciada pelas projeções de ampla oferta global na safra 2025/26.

Os preços dos cereais atingiram 105,6 pontos em agosto, baixa de 0,8% sobre julho decorrente da ampla oferta global de trigo em contraste com as altas registradas nos preços do milho, sustentados pelas perspectivas de produtividade na UE e aumento da demanda para uso de ração e produção de etanol nos EUA. Já os preços internacionais dos laticínios atingiram média de 152,6 pontos em agosto, uma queda de 1,3% em relação ao mês de julho, refletindo um declínio nos preços da manteiga, queijo e leite em pó integral em função do fornecimento estável da UE e importações moderadas por parte dos principais compradores, à exemplo da Ásia.

O que caiu

Tabela 2: Maiores Impactos de Baixa - Produtos Selecionados

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Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

Principais quedas de preço no mês de agosto/2025:

Manga: A queda observada nos preços da manga está relacionada a safra no Vale do São Francisco, com frutas de boa qualidade disponíveis no mercado. Incertezas quanto a continuidade e ritmo das exportações, após a aplicação da alíquota de 50% nas importações norte-americanas da fruta, também interferiram na queda de seus preços no mercado nacional.

Tomate – A queda ocorrida nos preços do tomate é justificada pelo clima mais quente, que acelerou a maturação e concentrou a oferta das principais praças da safra de inverno. Além disso, também se observou melhores produtividades nas regiões produtoras, o que resultou em um maior volume disponibilizado no mercado.

Mamão – Em agosto, além da ampliação da produção, foi identificado, em algumas praças, qualidade inferior devido a problemas fitossanitários, o que também resultou em um menor preço pago pelo produto.

Batata-inglesa – As regiões produtoras da safra de inverno de batata continuam realizando a colheita dentro do cronograma previsto, garantindo ampla disponibilidade no mercado.

Café moído – A queda nos preços do café moído se deve, principalmente, ao final da colheita de café no Brasil, elevando a oferta doméstica e reduzindo os preços do varejo para baixo.

O que subiu

Tabela 1: Maiores Impactos de Alta - Produtos Selecionados

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Fonte: IBGE. Elaboração: DTec/CNA.

Principais altas de preço no mês de agosto/2025:

Limão: A oferta nacional limitada, haja visto o período de entressafra, especialmente nas regiões de cultivo não irrigado, segue puxando as cotações nos preços da fruta.

Pimentão – O período de entressafra e a redução da área plantada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste reduziram a disponibilidade no mercado.

Melancia – Com o encerramento da safra, especialmente nos estados da Bahia e do Tocantins, a oferta de melancia ficou reduzida. A temperatura elevada sustenta a demanda da fruta, que associada aos custos logísticos mais altos sustentam os preços mais altos.

Banana-prata – A temperaturas mais baixas nas regiões produtoras, como Vale do Ribeira (SP) e Norte de Minas Gerais, culminando em limitações na oferta da fruta.

Carne de porco – Os preços foram sustentados pela boa procura por suínos, frente a oferta mais restrita de animais para abate. A referência para o suíno vivo subiu 3,4% em agosto nas granjas em São Paulo, na comparação mensal. No atacado, o aumento foi de 4,4% no mesmo período.

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