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PIB do 2º trimestre de 2019 cresce 0,4%, resultado superior ao esperado pelos analistas

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Por CNA 29 de agosto 2019
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1. Indicadores do PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) do 2º trimestre de 2019 – abril a junho – cresceu 0,4% se comparado ao trimestre anterior, o que representa uma melhora no indicador de crescimento da economia brasileira O resultado positivo do PIB divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) foi o dobro do esperado pelos analistas ouvidos pela Bloomberg.

Os dados do IBGE revelam que, no 2º trimestre de 2019, a economia brasileira cresceu 0,4% frente ao primeiro trimestre de 2019, e 1,0% frente ao período entre abril e junho do ano passado, como expresso na Tabela 1 a seguir.

O Gráfico 2 a seguir revela o desempenho por setor de atividade econômica nos últimos 12 meses. Além da agropecuária (1,1%), os seguintes setores cresceram mais que a média nacional de 1,0%: Eletricidade, água e esgoto (3,1%), Atividades Imobiliárias (3,1%), Informação e Comunicação (2,6%), Transporte, Armazenagem e Correio (1,3%), Comércio (1,3%) e Outras Atividades e Serviços (1,2%).

A indústria extrativa (-1,9%), construção (-0, 9%), indústria de transformação (0,1%), atividades financeiras (0,1%), Administração, Defesa, Saúde e Educação Pública (0,1%) apresentaram resultados piores que a média nacional.

Considerando apenas o período entre abril e junho de 2019 – comparativamente ao primeiro trimestre do ano – observa-se crescimento modesto de 0,4% da economia brasileira.

Entre os componentes da demanda interna, houve avanço de 0,3% do Consumo das Famílias e queda de 1,0% do Consumo do Governo. O destaque foi o crescimento de 3,2% da Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF). No setor externo, as Importações de Bens e Serviços avançaram 1,0%, enquanto na direção contrária, as Exportações de Bens e Serviços caíram 1,6%

2. PIB – Agropecuário

No 2º trimestre de 2019, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, o setor agropecuário brasileiro apresentou crescimento de 0,4%. E em relação ao trimestre imediatamente anterior (1º tri/2019), houve uma retração de 0,4%, como pode ser visto na Tabela 2 abaixo.

É importante destacar que a queda do indicador do segundo trimestre, comparado ao primeiro trimestre, é normal para a atividade agropecuária, pois neste período já se encerrou a safra verão, e naturalmente a “safrinha” é menor em volume de produção.

Entretanto, o crescimento apresentado na comparação com o mesmo período do ano anterior é reflexo do bom desempenho de alguns produtos agrícolas, que possuem safra relevante para o período, como algodão e milho, que apresentaram aumento do volume de produção em 32,5% e 21,4%, respectivamente.

Os dados de produção também são apresentados pelo IBGE no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), e compara o resultado de julho 2019 com julho de 2019. Além disso, com base nos Valor Bruto da Produção (VBP) calculado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), vale destacar o bom desempenho da pecuária neste segundo semestre, principalmente para a produção de bovinos (crescimento estimado de 2,4% na produção). Outros produtos que também apresentaram crescimento de produção colaboraram com o resultado; banana (4%), leite (3%), ovos (2,6%) e frango (2%).

Importante ressaltar, que do lado da demanda, houve queda nas exportações do segundo trimestre (-1,6%), quando comparado ao trimestre anterior, influenciado negativamente o resultado do PIB divulgado pelo IBGE

Na atividade agropecuária, com a mesma tendência, o milho apresentou queda de 60% no volume exportado. No segundo trimestre, foram exportadas 2,62 milhões de toneladas de milho enquanto no primeiro trimestre foram exportadas 6,48 milhões de toneladas do cereal. A comercialização antecipada principalmente do milho, ficou concentrada no primeiro trimestre, influenciando a queda visualizada entre o período de abril a junho.

3. Considerações Finais

O resultado de crescimento de 0,4% do PIB no 2º trimestre de 2019 demonstra sinais para otimismo, mesmo que cauteloso, pois a recuperação dos investimentos e da indústria foram significativamente melhores que o esperado por analistas.
O país ainda não apresenta sinais fortes de retomada da atividade econômica. Ainda assim, certamente o resultado apresentado hoje deverá gerar uma revisão das expectativas do mercado a ser observada no próximo Boletim Focus. 

Contudo, é importante frisar que a retomada do crescimento econômico brasileiro continuará sendo muito gradual e lenta. Mudanças que estão ocorrendo na estrutura econômica do país, se bem conduzidas e implementadas, apresentarão resultados no longo prazo, visto que grande parcela do nosso PIB se dá por meio do crescimento do consumo das famílias e dos investimentos.

Pelo lado das famílias, o consumo se mantém estável e sem aceleração de crescimento, dado o elevado nível de desemprego (13 milhões de trabalhadores) e o endividamento ainda elevado. Pelo lado dos investimentos, embora a Formação Bruta De Capital Fixo (FBCF) esteja apresentando resultados melhores, a falta de confiança do empresário ainda limita um expressivo aumento do indicador.

Após dois anos com retração (-0,7% em 2017 e -0,8% em 2018) na FBCF no 2º trimestre, se comparado ao trimestre imediatamente anterior, janeiro a março, o ano de 2019 apresentou crescimento de 3,2%.

Para a atividade agropecuária, é importante destacar que, mesmo diante de uma queda no indicador do segundo trimestre, quando comparado ao primeiro trimestre do ano (-0,4%) o número não preocupa, visto que é natural do setor, por conta da sazonalidade uma redução da atividade no segundo trimestre de cada ano. Inclusive, é o melhor resultado para o trimestre nos últimos seis anos. No acumulado dos últimos quatro trimestres, o setor apresenta crescimento pouco acima do PIB do País. Enquanto o setor apresenta crescimento de 1,1%, o indicador global atinge a marca de 1,0%.

Como citado anteriormente, é importante acompanhar fatores internos e internacionais que deverão influenciar os resultados dos próximos trimestres de 2019 são:

  • 1) Resultado da eleição na Argentina e desenrolar da crise econômica no país -  Grande parte das exportações brasileiras, principalmente de automóveis são destinadas ao país vizinho;

  • 2) Guerra comercial entre EUA e China - A elevação das tarifas de importação das duas potências econômicas mundiais está ampliando o protecionismo, gerando volatilidade nos mercados e reduzindo a liquidez comercial mundial;

  • 3) Instabilidade política na Europa – Indefinição da data definitiva para saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), Formação de governo de coalização na Itália e Eleições na Alemanha;  

  • 4) Instabilidade cambial – resultado da volatilidade dos mercados

No front doméstico, algumas iniciativas do governo federal deverão impulsionar o consumo, dentre os principais;

  • 1) Liberação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) - O que deverá ampliar o poder de consumo das famílias;

  • 2) Provável (nova) rodada de redução das taxas de juros (SELIC) - Favorecendo a redução do endividamento da população; e

  • 3) Aprovação das reformas (previdência e tributária) - Oferecendo maior confiança aos empresários e consumidores.


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